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20 de julho de 2026 · 6 min de leitura

O desconforto de não saber: como viver com perguntas sem resposta

Devo ficar ou ir? Isso é certo para mim? Quem sou eu? Aprender a habitar a incerteza é parte central do trabalho terapêutico.

Perguntas sem resposta existem na vida de todos, e a incerteza que pairam sobre nós é parte do que nos leva à terapia: devo ir embora ou ficar? Isso é certo para mim? Por que me sinto assim? Como posso mudar? Quem sou eu?

A pressa por respostas

Quando a incerteza aperta, buscamos alívio rápido: uma decisão precipitada, uma explicação simples, uma lista de regras. O alívio dura pouco, porque a pergunta não era técnica — era existencial.

Tolerância à incerteza é treinável

A ansiedade cresce menos com o problema em si e mais com a tentativa de eliminar toda a dúvida antes de agir. Trabalhamos, então, a capacidade de decidir com informação parcial e revisar depois.

Três movimentos úteis

  1. Separar o que é dúvida de informação (dá para pesquisar) do que é dúvida de sentido (só se responde vivendo).
  2. Definir o menor próximo passo possível, reversível.
  3. Observar o corpo: onde a incerteza se instala fisicamente e o que ela pede.

O ganho

Quem aprende a habitar a dúvida deixa de viver em espera. As decisões ficam mais suas e menos reativas — e a vida volta a acontecer no presente.

Escrito por André Garcia Neto, psicólogo clínico (CRP 08/45062), especialista em Gestalt-terapia e saúde mental masculina.

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